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34 alunos participaram da atividade
Iniciamos a aula com a leitura da crônica “Retrato de velho” – Carlos Drummond de Andrade (página 14, TP01).
Após a leitura, analisamos o dialeto predominante no texto e os alunos apontaram algumas palavras que estão em desuso: mandriona, bandalho, conspurcando, brotos, esbodegado; concluindo que são palavras pertencentes ao dialeto dos idosos e que podem dificultar a comunicação com pessoas de outras gerações.
Em seguida fomos ao dicionário verificar o significado dessas palavras e de outras que estavam no texto e eram desconhecidas para eles. Enfim, realizamos uma última leitura do texto.
Na aula seguinte, lemos o texto “Cartas: de Ana para Pedro” - Vivina de Assis Viana e Ronald Claver. (In, BELTRÃO, Eliana Santos & GORDILHO, Tereza. Coleção Novo Diálogo, 6ª série. São Paulo: FTD, 2006. PP. 17) que representa o dialeto jovem e o registro informal da linguagem. Após a leitura, a turma identificou as características da linguagem coloquial. Depois apontaram as palavras do texto que eles consideram próprias do dialeto jovem. Também apontaram várias outras palavras de seu uso diário.
A turma foi dividida em 06 grupos com 04 componentes e 02 grupos com 05 componentes. Em seguida, os alunos listaram várias palavras bem típicas da linguagem dos jovens. Em seguida, cada grupo disse à classe as palavras que listou, as quais foram registradas no quadro.
Cada grupo elaborou uma frase exemplificando o uso das palavras da lista. Depois, com o auxílio do dicionário(XIMENES, Sérgio. Minidicionário Ediouro. Rio de Janeiro:Ediouro,1999. 6ª ed.) , localizamos sinônimos e outros significados que cada palavra apresenta.
Finalmente, cada grupo expôs uma quantidade de palavras dando a definição do grupo, a definição apresentada no dicionário e um exemplo da palavra no uso cotidiano. Após essa etapa, num pequeno debate, os alunos discutiram em quais situações é adequado determinado uso (do dicionário ou popular). Finalizamos com a avaliação da atividade, na qual cada aluno escreveu sua opinião sobre a atividade, relacionando quais as contribuições para sua aprendizagem.
AVALIAÇÕES:
Com essa atividade percebi que várias palavras que eu uso. Gírias, por exemplo, estão no dicionário e tem o mesmo sentido que eu sempre pensei que tinham. Mas há palavras que eu uso que estão totalmente diferentes no dicionário, na maneira de escrever e no significado. Eu gostei porque não ficamos só escrevendo. Nós falamos, demos nossa opinião. E depois usamos o dicionário. Eu gosto de atividades em grupo. Foi muito bom.
Essa foi uma atividade em que a turma mostrou-se bem produtiva. Ao perceberem meu interesse em conhecer o vocabulário deles, os alunos sentiram-se valorizados e alguns revelaram que nunca alguém havia se interessado em saber da linguagem deles.
DICIONÁRIO JOVEM
Verbos:
COLAR à pegar respostas da atividade do colega.
Ex.: É bom João não colar na prova de hoje!
Dic.: unir, pegar com cola, copiar clandestinamente.
CAGÜÊTAR àcontar algo que não devia, que é segredo.
Ex.: Emília cagüêtou nosso lance de ontem.
Não consta no dicionário.
CHIFRAR à trair.
Ex.: Lúcia chifrou seu namorado.
Dic.: agredir com chifre, cornear.
PILAR à roubar, pegar o que não é seu sem autorização do dono.
Ex.: Ele pilou minha caneta.
Dic.: coluna; pisar no pilão.
BABARà puxar o saco do outro, bajular.
Ex.: Juca baba muito seu patrão.
Dic.: molhar com baba; gostar muito de.
TRAMPAR à trabalhar.
Ex.: Meu irmão trampa na Maragusa.
Dic.: TRAMPA – excremento; armadilha para apanhar caça.
PEGAR àtransar.
Ex.: Esse garoto já pegou essa menina.
Dic.: segurar, agarrar, tomar nas mãos.
FICAR à namorar, paquerar, transar.
Ex.: Lucas ficou com Júlia na festa.
Dic.: permanecer em um lugar.
ZUAR à bagunçar, sair sem compromisso.
Ex.: vou sair pra zuar.
Dic.: ZOAR – ter ou emitir som forte e confuso.
DANÇAR à perder; ser enganado; morrer.
Ex.: Júlio perdeu dinheiro no jogo. (ele dançou)
Dic.: executar uma dança.
AVACALHAR à bagunçar, bater, xingar.
Ex.: João avacalhou a festa.
Dic.: não consta.
VACILAR à ficar distraído, dar mole pra polícia ou para os bandidos.
Ex.: Ele vacilou na negociação com o primo.
Dic.: Estar indeciso; fazer algo errado.
XISPAR àsair.
Ex.: É melhor você xispar daqui.
Dic.: não consta.
XINGAR à ofender alguém com palavrões.
Ex.: Esse garoto me xingou.
Dic.: insultar com injúrias.
PARTES DO CORPO
Tanquinho à barriga sarada.
Ex.: Essa garota tem um tanquinho...
Dic.: reservatório para lavar roupas.
Poposão à bumbum.
Ex.: esse garoto tem um popozão!
Dic.: não consta.
Bumbum àbunda.
Ex.: Eu tenho bumbum arrebitado.
Dic.: som do bumbo; nádegas.
Melões àseios, peitos grandes.
Ex.: minha irmã tem cada melões!
Dic.: fruto comestível do meloeiro.
Cara1 à rosto
Ex.: Parece que você nem lavou a cara hoje.
Dic.: rosto, semblante, fisionomia.
Fussas à rosto.
Ex.: toma vergonha nessas suas fussas!
Dic.: não consta.
OUTROS
Bagulho à objeto velho.
Ex.: Seu João tem um depósito cheio de bagulho.
Dic.: Objeto sem valor
Buteco à comércio pequeno; bar.
Ex.: Seu Juca bebe muito no buteco.
Dic.: BOTEQUIM – casa onde se vendem bebidas, comidas, refrigerantes.
Considerado àpessoa de quem se gosta.
Ex.: chega aí considerado!
Dic.: ponderado, querido, respeitado, examinado com atenção.
Gatinha à menina bonita; namorada.
Ex.: esta aqui é minha gatinha.
Dic.: diminutivo de gata; adolescente bonita, graciosa.
Galera à grupo de amigos.
Ex.: esta é minha galera.
Dic.: antiga embarcação comprida e estreita; grupinho de amigos.
Muleque à maneira de falar com os colegas próximos.
Ex.: e aí moleque?
Dic.: MOLEQUE – indivíduo que nada toma a sério.
Mão-de-vaca à pessoa ruim, que não ajuda.
Ex.: deixa de ser mão-de-vaca, Raimundo!
Dic.: não consta.
Paia àruim; que não dar certo.
Ex.: Essa aula é muito paia.
Dic.: PALHA – insignificância, bagatela.
Siá à modo de chamar as colegas; conhecidas.
Ex.: Ei siá, passa pra cá.
Dic.: alteração de sinhá (tratamento que os escravos davam às senhoras).
Travado àbêbado.
Ex.: Seu Ezequiel chegou travado.
Dic.: unido, ligado estritamente; impedido;embaraçado.
Besta à pessoa que não reage quando é ofendido.
Ex.: Mulher, tu é muito besta, vai deixar ele te xingar?
Dic.: pessoa presunçosa ou muito estúpida; tolo, ingênuo.
Beleza à jeito de falar com os colegas para saber se vai tudo bem.
Ex.: E aí cara, beleza?
Dic.: qualidade daquilo que é belo; coisa agradável.
Cara 2 àmodo de tratar colegas e pessoas desconhecidas.
Ex.: Aquele cara apareceu aqui como quem não quer nada.
Dic.: indivíduo, sujeito.
Xaveco à cantada, paquera
Ex.: Ele passou um xaveco na Mariana.
Dic.: barco pequeno; coisa insignificante; pessoa sem importância.
Bicho à modo de tratar os colegas.
Ex.: E aí bicho?
Dic.: tratamento cordial dado à pessoas intimas.
Cambada à grupo de pessoas mal intencionadas.
Ex.: Lá vem João com aquela cambada.
Dic.: corja, súcia, cáfila;
Caiau à coisa velha, sem valor; coisa feia.
Ex.: Essa bicicleta está só o caiau.
Dic.: CALHAU – fragmento de rocha dura; pedra solta.
Mané à pessoa boba, ingênua; que todo mundo engana.
Ex.: Você é mesmo Mané, deixou ele te enganar de novo.
Dic.: não consta
Maneiro à legal, gostoso.
Ex.: fui num passeio maneiro.
Dic.: bacana, calmo, sereno.
Bacana àlegal, interessante, agradável.
Ex.: Essa garota é bacana.
Dic.: excelente, muito bom, o que há de melhor.
Sarado à magro, malhado.
Ex.: O professor está sarado.
Dic.: que sarou; malhado; que tem o corpo esculpido por exercícios físicos.
Surdão à murro, soco, tapa no ouvido.
Ex.: Juca deu um surdão no Eduardo.
Dic.: não consta.