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RESENHA
FERREIRA, Liliana Soares. Produção de leitura na escola. Ijuí: ENIJUI, 2001. PP. 41 a 95.
A autora analisa o gênero textual Literatura Infantil através de reflexões sobre o texto, suas características enquanto objeto artístico e o seu uso para leitura em sala de aula. E aborda seus aspectos históricos lembrando que a Literatura Infantil surgiu com o conto de fadas ou conto maravilhoso tradicional. Ela afirma que contos sempre existiram, pois era um motivo para a reunião de pessoas, mas somente a partir do século XVII ele passou a ser destinado ao público infantil. Também utiliza a concepção barthesiana para afirmar que a literatura para crianças e jovens foi reduzida à utilidade, ou seja, não se tornou artística. Além disso, ela critica o papel moralizador dos contos infantis e o fato dos textos literários serem utilizados pela escola de forma mecânica, ignorando a possibilidade de o leitor atribuir significados ao texto conforme seus conhecimentos e percepções. Então, ela cita Eco(1991) para reforçar a idéia de que o leitor deve interpretar o texto e atribuir-lhe sentidos.
Aborda ainda aspectos relacionados aos movimentos educacionais citando as deficiências quanto à produção literária brasileira no período colonial e a produção dos protótipos do texto didático no período republicano. Também menciona aspectos sociais que impossibilitaram a formação de leitores tais como: analfabetismo e miséria. E diz que a população brasileira infantil continuou afastada dos livros mesmo nos períodos de maior produção e divulgação de obras voltadas a ela, uns por não saberem ler e outros por não terem acesso às obras. Para ela, a década de 80 foi a mais promissora para a formação de leitores devido ao grande investimento na educação e à expansão da distribuição gratuita de obras literárias de qualidade e à mobilização de elementos diferenciados: a cultura de massa, o popular, o clássico, o visual para integrarem o projeto literário infantil.
Para a autora, o leitor infantil, atualmente, ler porque gosta de ler, ou se não ler, é porque perdeu o gosto pela leitura. Ele é um leitor consciente das particularidades presentes no texto e isso deve ser considerado pelo professor ao preparar suas aulas de leitura. Geralmente o professor tende a estabelecer apenas um sentido para o texto ignorando o processo de interação entre falante e ouvinte, leitor e autor. Ela propõe, de acordo com Geraldi(1998) que no trabalho com a Literatura Infantil o professor leve em consideração a relação leitor-texto literário-autor.
Ela afirma que a partir do momento em que o professor conceber a leitura como uma produção, ele passará a considerar o ato de ler como uma atividade de ação por parte do leitor e não mera decodificação. Além disso, ela critica a idéia de leitura como um hábito. Para ela, ler não é um comportamento, algo condicionado e sim uma experiência prazerosa, significativa, com objetivo. E para que a leitura passe a ser vista desse modo o professor é o principal agente de efetivação dessa mudança capaz de revitalizar o desejo de ler.
Concordamos com a autora em suas afirmações relativas à leitura, pois acreditamos que a mesma se realiza quando o aluno é capaz de interpretar o texto, analisá-lo e sistematizá-lo, levando em consideração seus conhecimentos, construindo sentidos através de sua leitura de mundo e, desse modo, interagindo com o texto. Também quanto ao fato de a escola dar liberdade ao aluno na escolha de suas leituras a fim de que o mesmo seja um leitor consciente e tenha a leitura como algo prazeroso.