MEMORIAL

GESTAR II – PROGRAMA GESTÃO DA APRENDIZAGEM ESCOLAR


Memorial



Sou Maria do Livramento Pereira, 30 anos, nasci em São Bento (MA) aos dias 24 de setembro de 1979. Sou filha de pais analfabetos, mas o meu primeiro contato com a leitura aconteceu em casa – Tenho um irmão que aos quatro anos já lia pequenos textos e sua preferência era por literatura de cordel. Lembro-me que sua história preferida tinha o seguinte título: A BATALHA DE LAMPIÃO COM SÃO PEDRO; à noite tínhamos o hábito de nos reunir em torno de uma lamparina para ouvi-lo ler. Essas leituras despertaram a minha curiosidade.
            Aos três anos eu já lia frases; fui matriculada no jardim da infância de uma escola pública e isso foi uma regressão na minha aprendizagem porque fui introduzida ao mundo do alfabeto, da soletração e silabação. Na verdade não regredi, mas fiquei estagnada. E, somente após dois anos, uma nova professora que assumiu a classe percebeu a diferença ente mim e a turma e sugeriu a minha mãe que me levasse a fazer um teste para cursar a 1ª série. Então, fui submetida ao teste e minha aprovação surpreendeu a direção da escola e aos demais professores. E foi nesse ano que me apaixonei pelo magistério. Minha professora chamava-se Cristina – um exemplo de mestre: paciente, inteligente e dedicada. Passei a sonhar ser igual a ela.
Continuei estudando, sempre em escola pública, e o meu sonho de ser professora me acompanhava, porém não havia decidido em que área atuaria. Na 7ª série conheci a professora Marilza, pessoa que me inspirou a ser professora de Língua Portuguesa. Seu jeito suave de conduzir a disciplina nos fazia a prender com prazer. Sua metodologia incluía muitas leituras e dramatizações. Ela valorizava muito a criação, a superação. O aluno tinha “autonomia” na construção do conhecimento. Desde então, decidi que faria faculdade de Letras.
A Língua Portuguesa sempre me envolveu muito; sempre a vi como uma possibilidade de descobrir, de viajar, de sonhar. Minha relação com essa disciplina, eu poderia dizer que é de “amor”, assim como a relação que tenho com a minha profissão. Não sou professora por falta de opção, mas porque decidi que essa é a melhor opção para mim.  
Em 1999 decidi inscrever-me no vestibular da Universidade Federal do Pará, concorrendo a uma vaga para a faculdade de Letras. Fui aprovada. Esse era o começo da realização do meu sonho. Em 2003, ao encerrar o meu curso universitário, fui aprovada no Concurso Público da Prefeitura Municipal de Marabá para professora de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental. Eis, então, a concretização do meu sonho...
            Exerço o Magistério há nove anos. E nessa trajetória já vivi momentos marcantes. Por exemplo, em 2003 conheci uma aluna que cursava o 3º ano do Ensino Médio. Ela enfrentava sérios problemas familiares, mas tinha uma capacidade de superação incomparável; uma força de vontade indescritível; e cultivava o sonho de tornar-se universitária, ser aprovada no vestibular e tornar-se pedagoga. Eu sempre a auxiliava em produções textuais extras porque acreditava em seu potencial. Após o encerramento do ano letivo, recebi a informação que a mesma já estava matriculada na UFPA e iria cursar exatamente a faculdade que sempre sonhara. Essas experiências reforçam a minha convicção de que ser professor é algo recompensador. Embora com tantos problemas de estrutura, falta de material de apoio, falta de material pedagógico, temos tantos exemplos de alunos que sonham e conseguem realizar seus sonhos graças a seus esforços e nossa ajuda (dos professores).
            Quando iniciamos um ano letivo e encontramos vários alunos com déficit cognitivo, percebemos que há um grande desafio a nossa frente. Esse desafio me impulsiona a reverter o quadro ruim. Então utilizo minha criatividade e capacidade para ao final do ano ter um resultado positivo. Desse modo, vejo que minha prática tem contribuído para o bem da sociedade. É por isso que sou educadora, mediadora; para auxiliar pessoas que, independente do estágio de aprendizado necessitam de orientação e compreensão.
            Aderir ao GESTAR II com o objetivo de continuar fazendo o meu trabalho com responsabilidade e para ter apoio metodológico. Espero alcançar o que desejo dessa formação para que minha prática seja melhorada e haja facilidade no processo de ensino-aprendizagem.
3 Responses
  1. Anônimo Says:

    gostei do seu memorial, muito enriquecedor...


  2. Anônimo Says:

    Excelente, você é um exemplo a ser seguido!
    Gabi