MEU PROFESSOR INESQUECÍVEL

TP2 – UNIDADE 05 – PÁGINAS 30 e 31
34 alunos participaram da atividade

Cada aluno recebeu uma cópia do texto:
Eu odeio professores. Eu odeio professores. Eu sempre vou odiar professores. Ficava repetindo isso para me acalmar e depois de umas cem vezes já conseguia aceitar o fato de que ia bombar. Eu não tinha problema nenhum com eles, a não ser o fato de eles terem vários problemas comigo. O de História, Zé Raimundo, me botava para fora da sala assim que chegava. Chamava de molecão e botava para fora. E depois me cobrava a lição de casa, que eu não tinha feito porque ele não me deixava assistir à aula. Dona Rosa, de Religião, achou que eu estava querendo acabar com o trabalho dela quando eu disse que religião tinha de ser ensinada em História e deveria explicar igualmente todas as religiões, até a dos índios. O de Matemática vivia repetindo que todos tinham de ter cabeça para exatas, que só a matemática e o jogo de xadrez ensinavam a raciocinar, e ficou pê da vida quando eu perguntei na oitava vez que ele repetiu aquilo se todos os filósofos sabiam matemática e xadrez. Achou que eu estava gozando ele e de lá para cá me faz perguntas valendo ponto e me chama na lousa para resolver um problema valendo ponto e jogou minha nota do bimestre lá para baixo. O de Educação Física não aceita o fato de eu não conseguir fazer todos os exercícios por ser gordinho e fica gritando grossuras na frente das meninas, grossuras do tipo “geme mas faz”, todo mundo rindo e sabendo que é comigo. O de Geografia vem com tudo decorado e não aceita perguntas fora do tema, mas como é que alguém pode aprender sem perguntar? Se ele falava do mar eu queria saber qual é a origem da água, coisas assim que surgem de repente, e ele diz que eu quero é tumultuar a aula para ele não dar a matéria. O professor de Ciências vive metendo percebes no meio das frases, não fala uma coisa sem perguntar “percebe?”, e todo mundo chama o cara de Percebe. O Percebe quer assim, o Percebe fez assado, o Percebe pediu isso ou aquilo. Quando eu pedi um esclarecimento a ele sobre a matéria, explicando direitinho o que eu não tinha entendido, meti também um percebe para ficar mais do jeito de ele falar, e a turma riu demais, e ele agora me odeia. Não vou ficar me estendendo muito para não encher o saco, mas toda hora eu entro numa dessas. Bom, e tem o meu problema com a Ferraz, de Português.
ÂNGELO, Ivan. Minha primeira história. In: Meu professor inesquecível. São Paulo: Gente, 1997. p. 67-68. (fragmento)


Realizamos leitura individual, silenciosa. Em seguida, li o texto para a turma e iniciamos uma conversa sobre o porquê do autor ter esse posicionamento em relação aos seus professores. Então alguns alunos responderam que a postura dos professores fez com que o aluno tivesse esse tipo de comportamento e sentimento de repulsa.
Perguntei-lhes qual seria o professor inesquecível do autor. Após algumas tentativas: o professor de inglês; o professor da alfabetização; o professor do primário; lembrei a eles que nós já havíamos lido outra parte desse texto no qual o autor diz quem é seu professor inesquecível. Então um alvoroço tomou conta da turma. Todos tentando relembrar a história para ser o primeiro a dizer quem teria sido o professor digno de tal título. Até que um aluno lembrou-se que o autor foi alfabetizado de uma maneira prazerosa e divertida por seu pai. Logo, concluímos que o seu professor inesquecível era, na verdade o seu próprio pai e que a metodologia da escola estava prejudicando sua aprendizagem.
Na aula seguinte realizamos uma produção textual sugerida pela TP, na qual os alunos dão seqüência ao depoimento.
AMOSTRA:
Bruno Pereira da Cruz
“Bom, e tem o meu problema com a Ferraz, de Português”. Ela vive dizendo que eu não faço nada e disse que eu atrapalho sua aula. O de Inglês me perturbava dizendo que eu dormia durante a aula; e que conversava muito. Cada professor me enchia mais o saco. Já sabia que não ia me dar bem nessa escola porque eu sou peralta e os professores são Caxias.

Luciana da Silva Marques
“Bom, e tem o meu problema com a Ferraz, de Português”. Ela sempre implicava comigo porque eu tinha dificuldades para ler e cometia muitos erros ortográficos. Tinha muito esforço, mas sempre na prova erra tudo. Então ela ficava irritada comigo

Amanda Alves
“Bom, e tem o meu problema com a Ferraz, de Português”. Nas aulas dela eu perguntava muito sobre verbos: pra que serviam, como surgiram, perguntas desse tipo. Ela brigava comigo dizendo que eu queria fazer confusão na aula dela.

Após a apresentação do texto pelo aluno Bruno, a turma voltou ao texto original para analisarmos a linguagem que o autor usou no texto e identificarmos traços do dialeto jovem. Foram apontadas as seguintes palavras e expressões: ia bombar; ficou pê; achou que eu estava gozando ele; pra não encher o saco. Além disso, a escrita reproduzindo uma fala dinâmica, característica marcante na linguagem dos jovens.

Essa atividade foi bem aceita pelos alunos que se empenharam em realizá-la. Ainda, em aulas posteriores fizemos a correção de todos os textos produzidos.



0 Responses